O Impacto do Smartphone na Narrativa Cinematográfica: Um Estudo de Caso de Filmes como ‘Parasita’

O Impacto do Smartphone na Narrativa Cinematográfica: Um Estudo de Caso de Filmes como ‘Parasita’
9 meses atrás

Nas últimas décadas, a tecnologia tem impactado diversas esferas da vida cotidiana, seja na narrativa cinematográfica, na maneira como comunicamos e fazemos para rastrear um celular perdido. 

À medida que os smartphones se tornam onipresentes, o cinema também se adapta a essa nova realidade, refletindo as complexidades e possibilidades trazidas por esses dispositivos.

Este artigo se propõe a investigar o impacto dos smartphones na forma como histórias são contadas e percebidas no cinema.

Utilizando o filme “Parasita” como estudo de caso, exploraremos como o diretor Bong Joon-ho utiliza dispositivos móveis para acentuar elementos da trama e refletir questões sociais contemporâneas.

O objetivo é desvendar como a inclusão de smartphones no cinema não é apenas um reflexo de nossa sociedade hiperconectada, mas também uma ferramenta poderosa de storytelling, leia até o final e verá que valeu a pena

A Evolução da Tecnologia no Cinema e Sua Relação com Smartphones

Ao longo da história do cinema, diversas inovações tecnológicas têm afetado a forma como filmes são produzidos, distribuídos e consumidos.

Desde a transição do cinema mudo para o falado até a revolução do CGI (Computação Gráfica), a tecnologia sempre desempenhou um papel significativo.

No entanto, com a ascensão dos smartphones, estamos vivenciando uma nova etapa dessa evolução. Estes dispositivos não apenas alteraram a forma como o público acessa e assiste a filmes, mas também como eles são retratados nas telas.

Hoje, é comum ver personagens usando smartphones para comunicar, investigar ou até rastrear um celular em filmes de todos os gêneros.

Essa incorporação da tecnologia móvel na narrativa cinematográfica reflete uma mudança cultural mais ampla, na qual nossas vidas estão cada vez mais interconectadas através de pequenos aparelhos que carregamos em nossos bolsos.

A representação dos smartphones no cinema é, portanto, um espelho de sua penetração e impacto em nossa vida cotidiana.

Análise Detalhada do Uso de Smartphones em “Parasita”

No filme “Parasita” de Bong Joon-ho, os smartphones não são apenas aparelhos periféricos; eles são elementos cruciais que impulsionam a trama e revelam aspectos intrincados da sociedade e das relações de classe.

Os dispositivos são usados de diversas formas: para tirar fotos comprometedoras, enviar mensagens que instigam a ação e até mesmo como uma ferramenta de iluminação em cenas-chave. Eles também servem como um símbolo poderoso do abismo socioeconômico entre os personagens.

A família rica possui os modelos mais recentes e os usa casualmente, enquanto a família pobre se envolve em estratagemas engenhosos, usando smartphones para mudar suas circunstâncias.

Em uma cena particularmente impactante, um smartphone é usado para capturar um momento que resulta em uma chantagem.

Este não é apenas um uso literal do dispositivo, mas também um meio de demonstrar a exploração e vulnerabilidade social.

“Parasita” exemplifica como os smartphones podem ser habilmente integrados na narrativa cinematográfica, não apenas como acessórios, mas como dispositivos que avançam na trama e enriquecem a temática do filme.

Comparação com Outros Filmes que Também Incorporam Tecnologia Móvel em Sua Narrativa

Enquanto “Parasita” usa smartphones como um veículo para explorar desigualdades sociais e relações de poder, outros filmes abordam a tecnologia de maneiras distintas.

Por exemplo, em “Buscando…” (2018), toda a narrativa se desenrola através de telas de computadores e smartphones, usando a linguagem dos dispositivos móveis para contar uma história de suspense.

Já em “Her” (2013), a tecnologia é humanizada, personificando uma IA como objeto de afeição. “O Círculo” (2017) aborda as implicações éticas da vigilância tecnológica.

Cada um desses filmes utiliza a tecnologia móvel para diferentes fins, seja para conduzir a trama, aprofundar personagens ou levantar questões éticas e sociais.

Discussão sobre Como Smartphones Podem Afetar a Autenticidade e a Relatabilidade da Trama

A inclusão de smartphones em filmes pode oferecer tanto benefícios quanto desafios para a narrativa. Por um lado, o uso realista de dispositivos móveis pode aumentar a relatabilidade e a autenticidade da história, tornando-a mais imediatamente reconhecível para o público contemporâneo.

No entanto, há também o risco de que a tecnologia distraia ou até trivialize momentos cruciais, se mal incorporada. Por exemplo, a dependência excessiva em mensagens de texto em tela pode distanciar o público, enquanto a falta de uso de smartphones em cenários onde seriam logicamente aplicáveis pode quebrar a suspensão da descrença. O equilíbrio é chave para manter a integridade da trama.

Conclusão

O impacto dos smartphones na narrativa cinematográfica é um fenômeno complexo e multifacetado. Como demonstrado através do estudo de caso de “Parasita”, esses dispositivos podem servir como potentes ferramentas de storytelling, adicionando camadas de significado e nuance à trama.

No entanto, é crucial que cineastas e roteiristas abordem essa inclusão com cautela e consciência, para evitar potenciais armadilhas que possam comprometer a autenticidade ou relatabilidade da história.

Ao fazer isso, a tecnologia móvel pode não apenas refletir nossa realidade hiperconectada, mas também enriquecer a arte do cinema em um mundo cada vez mais dominado por telas pequenas.